Dica: Luiz Tatit

A minha dica de hoje é o músico, compositor e escritor paulistano Luiz Tatit. Ele é um dos fundadores do “Grupo Rumo”, conjunto de artistas que junto com Itamar Assumpção,  Arrigo Barnabé e Premeditando o Breque fizeram parte da chamada “Vanguarda Paulista”. De acordo com a Wikipedia, esse movimento, que aconteceu na década de 70/80,  reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos nos anos finais da “Época das Trevas Modernas”. Os representantes desse movimento eram artistas que produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras.

Mas voltando ao Luiz Tatit, hoje ele segue em carreira solo, compondo canções que são verdadeiras obras primas. Como o cantor é Bacharel em letras e possui um vasto conhecimento em semiótica (já escreveu cerca de 5 obras sobre o assunto), pensem em uma pessoa que sabe como ninguém unir a arte da música com o dom das palavras.

Luiz Tatit

Vou deixar como sugestão a canção “Sem destino”, do álbum homônimo lançado em 2010. Se deliciem:

Sem destino

Tudo que era o meu destino
Na verdade nunca me aconteceu
Pode ter acontecido
Pra alguma pessoa
Mas não era eu
Vivo assim na vida sem previsão
Todo mundo tem destino, eu não
Nunca os fatos são de fato fatais
Não confio na fortuna jamais
Puro por acaso e nada mais

Tudo que já estava escrito
No meu caso nunca se concretizou
Só talvez o aniversário
Que é na mesma data
E não se alterou
Era pra eu já ter encontrado um amor
Era pra eu já ter esquecido o anterior
Era pra eu já ter aprendido a sonhar
Era pra eu correr o mundo e voltar
Mas viagem sem destino, não dá

Quero minha sina
Quero minha sorte
Quero meu destino
Quero ter um norte
Quero ouvir uma vidente
Que me conte tudo
Só esconda a morte
Quero uma certeza mínima
Que se confirme
Que não seja trote
Por não ter o meu destino
Vivo em desatino
Como D. Quixote

Quem não tem o seu destino
Chega a noite
Pensa que tudo acabou
Se levanta muito cedo
Nunca sabe bem
Por que que levantou
Nada tem urgência para cumprir
Pode virar do outro lado e dormir
Pode ficar nessa até o entardecer
Todos os amigos vão entender
Levantar sem ter destino
Pra quê?

Ser assim tão sem destino
Me preocupa muito
Me deixa infeliz
Sempre quis o meu destino
Foi o meu destino
Que nunca me quis
Mesmo algum sucesso que ele previu
Era pra me revelar, desistiu
Acho que ele foi atrás de outro alguém
Pois destino tem destino também
E só revela aquilo que lhe convém

Site oficial: http://www.luiztatit.com.br/home/index.php

Legião Urbana e Wagner Moura: injustiça com os fãs

O sonho de todo fã de uma banda que não está mais na ativa é ver o retorno de seus ídolos, nem que seja apenas por uma vez. No caso do grupo Legião Urbana, esse sonho torna-se quase  impossível, já que o vocalista e grande mentor Renato Russo não está mais entre nós.

Eu nasci na época errada

Mas o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá decidiram realizar parcialmente esse sonho, e vão apresentar a “Legião Urbana” nos palcos pela última vez nos dias 29 e 30 de maio, no Espaço das Américas, em São Paulo. E o convidado para cantar o repertório que ficou eternizado na voz de Renato Russo é o ator Wagner Moura.

Wagner, Marcelo e Dado

Admiro muito o trabalho do Wagner Moura, mas tem algo errado nessa história.

1º Achei um desrespeito com os fãs eles afirmarem que esse é o último show dos integrantes remanescentes da banda. E os fãs que estão fora de São Paulo? Que fizessem uma turnê de encerramento pelo Brasil então.

2º Claro que quem trabalha de graça é relógio, mas poxa, R$ 200, 00 para ver o Wagner Moura cantado me parece um pouco demais.

3º Tantos cantores ainda na ativa tiveram uma relação tão próxima com a Legião (Dinho Ouro Preto, Herbert Vianna), porque chamar o Wagner Moura?

4º Afinal, isso é uma homenagem à Legião Urbana ou uma jogada de marketing?

Claro que os “legião-maníacos” não estão nem aí, e provavelmente a maioria está feliz com essa história, mas acho que a “Legião Urbana” merecia encerrar sua história de um jeito mais bonito.

Virada Cultural 2012

No último fim de semana, aconteceu na cidade de São Paulo a 8ª edição do evento Virada Cultural. Ainda não foram divulgados os números oficiais, mas estimativas apontam que cerca de 4 milhões de pessoas aproveitaram as 24 horas de shows, peças, filmes e diversas atrações culturais gratuitas. Pelo 4º ano estive presente nessa muvuca e vou apontar aqui algumas observações feitas durante os shows que eu pude acompanhar.

Zélia Duncan – Sesc Itaquera

Zélia Duncan apresentou no Sesc Itaquera o show “Pelo sabor do gesto”, e mesclou o repertório do último CD com alguns clássicos de sua carreira como “Catedral”, “Alma” e uma regravação de uma música da Rita Lee que tem tudo a ver com São Paulo, “Lá vou eu”. No meio da apresentação, a cantora chamou para o palco o cantor Dimitri (foto), para dividir o microfone na música “Breve canção de sonho”, que faz parte da trilha sonora da novela “Cheias de charme”, da Globo. O cantor mostrou surpresa com o convite e fez uma apresentação tímida, porém linda. Uma curiosidade: Eu e minhas amigas depois do show vimos o cantor na LOTAÇÃO e pegamos o mesmo METRÔ que ele. Se um dia ele ficar famoso, poderemos ter o orgulho de falar que pegamos condução com o Dimitri.
A produção do Sesc, como sempre, foi impecável. Mais um show maravilhoso de Zélia Duncan que eu pude acompanhar (já perdi as contas de quantos foram nos últimos dois anos).

Titãs – Palco São João

Titãs apresentou no palco São João o show “Cabeça Dinossauro”, uma homenagem aos 30 anos de carreira da banda. Além das faixas desse CD, foram apresentados clássicos como “Flores” e “Lugar nenhum”. Quem foi no show esperando músicas “levinhas” como “Epitáfio” e “Isso” (tipo eu) quebrou a cara, pois a banda realmente mostrou o lado punk que marcou o início da carreira do Titãs.  Eu curti muito, tirando os banheiros químicos que estavam próximos exalando aquele cheiro nada agradável. Ainda não foram divulgados números oficiais, mais o meu “olhômetro” diz que deviam ter no minimo umas 60 mil pessoas presentes. Imagino que tenha sido uma das atrações que reuniu o maior número de público nessa edição da Virada.

Autoramas – Palco MTV

Autoramas foi uma grata surpresa para mim na Virada Cultural. Não conhecia nada da banda, e só fui até o palco MTV para esperar o início do show do Fresno. Mas o trio tem uma ótima performance no palco, e o vocalista e guitarrista Gabriel Thomaz (foto) manda muito bem. Pretendo acompanhar com mais atenção a carreira da banda a partir de agora.

Fresno – Palco MTV

Um dos shows de encerramento do evento foi o da banda Fresno. De longe, foi o público mais animado de todas as apresentações que eu assisti. Apesar da recente saída do guitarrista Tavares, que preferiu se dedicar ao trabalho solo, os fãs pareciam não ser importar muito com a ausência do rapaz e agitaram muito ao som de músicas como “Milonga”, “Eu sei” e “Porto Alegre”. O vocalista Lucas, apesar de ser um ótimo letrista, muitas vezes tenta forçar a imagem de “rockstar”, o que soa meio…forçado. No meio do show, ele fez uma crítica aos jornalistas que alegam que o rock acabou no Brasil, e disse que o público presente (que de acordo com o vocalista era de 30 mil pessoas), mostrava que sim, o rock ainda existe e faz sucesso no nosso país. Eu até acredito nisso, mas Lucas…fecha a boquinha.

Como em todo o evento gratuito de grande porte, a Virada Cultural teve alguns momentos de descontrole do público, que aconteceram principalmente na galinhada do chefe Alex Atala e no show da banda norte-americana Suicidal Tendencies. Mas, no geral, o evento continua sendo um sucesso e cumpre muito bem o seu objetivo, que é oferecer uma bela programação cultural de fácil acesso à todos, pelo menos durante uma vez por ano.