Sobre os comentários no blog

Oi pessoal, tudo bem?
Estou passando por aqui hoje só para dar um recado para quem acompanha o “Avesso e Reverso”. Tem uma galerinha muito legal que além de ler os meus textos, sempre deixa um comentário. Mas uma reclamação que recebo com frequência dessas almas bondosas é que o comentário não entra, não aparece ou dá algum tipo de erro (coisas do WordPress).
Adoro visitar blogs e interagir com os meus amigos blogueiros, e sei como é chato quando a gente comenta e fica dando erro. Por isso queria fazer um pedido: Se vocês leram algum texto e desejam comentar, elogiar ou criticar, não precisa necessariamente postar sua opinião AQUI.
AMO receber o retorno de vocês no meu Twitter (@litacruz), ou se preferirem, no Facebook http://www.facebook.com/talita.cruz.988.
E vamos combinar, né? Comentar nas redes sociais é muito mais fácil. Hoje em dia, grandes blogs só recebem comentários dessa forma (não que esse seja um grande blog, mas vocês entenderam).

A opção de comentários do blog vai continuar ativa, mas não se prendam a isso. Fico muito feliz quando sei que alguém leu os meus textos e gosto de receber esse retorno através de todos os canais possíveis.

E agradeço MUITO a todos que já dão esse feedback. Saibam que a opinião de vocês me motiva a continuar escrevendo e a buscar caminhos que nunca me afastem disso aqui 🙂

Muito obrigada!

Tô Tatiando – Zélia Duncan

Quem me conhece sabe que a minha cantora favorita é a Zélia Duncan. Em 2011, ela realizou o desejo antigo de homenagear o cantor e compositor Luiz Tatit, que além de parceiro musical, foi uma grande influência em sua carreira. O tributo veio através do espetáculo “Tô Tatiando”, em que Zélia interpreta as músicas de Tatit. A direção ficou por conta da atriz Regina Braga.

Zélia Duncan, Luiz Tatit e Regina Braga

E aqui a palavra “interpreta” é no sentido cênico mesmo, já que o espetáculo é uma espécie de musical. Como ela nunca tinha se aventurado em uma experiência como essa, foram realizadas apenas duas apresentações em 2011, no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Após o sucesso de público e critica, “Tô Tatiando” está de volta esse ano com força total, em uma turnê pelo Brasil. Por conta disso, resolvi relembrar um pouco o show maravilhoso que eu tive a oportunidade de acompanhar no ano passado.

Sei que pelo fato de ser fã, sou um pouco suspeita para falar sobre o trabalho da Zélia. Por isso, até evito comentar aqui no blog sobre artistas que eu gosto muito. Mas vocês podem ficar tranquilos em relação a isso, porque não tem como falar mal de um trabalho tão bem realizado como o espetáculo “Tô Tatiando”.

O cenário é muito simples. Ao fundo, tecidos transparentes projetam várias imagens ao longo do espetáculo. No palco, várias letras auxiliam Zélia a contar as histórias das músicas de Luiz Tatit. Ao longo do “show”, ela troca algumas partes do figurino.

Para quem nunca tinha interpretado na vida, Zélia dá um show. Segura, ela domina toda a obra de Tatit e “coloca no bolso” todas as possíveis dificuldades em encenar personagens e situações tão diferentes. Tem atriz da Globo que deveria aprender com ela.

Outra grata surpresa do espetáculo é a própria obra de Luiz Tatit. Eu, que fui para prestigiar a Zélia, sai de lá completamente fascinada com as músicas do compositor paulistano. É uma pena que um artista tão fantástico não seja valorizado como merece. Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Tatit, escrevi em maio um post sobre ele aqui no blog .

Para quem ficou com vontade de assitir, as próximas apresentações serão em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. Verifiquem as datas no site da Zélia e bom espetáculo! http://www2.uol.com.br/zeliaduncan/

O que é ser um ídolo da música?

O post de hoje é apenas uma reflexão, entre tantas por aí, sobre o cenário musical brasileiro. Há algumas semanas, uma situação exibida no programa Ídolos, da Record, me fez pensar um pouco sobre a relação dos brasileiros com a música. Trata-se da apresentação do candidato Everton Maciel.

Na seletiva do Rio Grande do Sul, o rapaz humilde que gosta de cantar sambas antigos com os amigos arrancou lágrimas da jurada Fafá de Belém ao cantar a música “Naquela mesa”. Para quem não viu, segue o vídeo:

Fafá chorou, eu chorei, o Brasil chorou (ok, menos). Até aí, beleza. O que me chamou a atenção foi a avaliação do jurado Marco Camargo sobre o candidato:

Marco Camargo: “Algumas pessoas vem aqui, não são todas, que emocionam de fato. Como você veio aqui e emocionou. E muito.
Essa sua felicidade que empolgou todo mundo não necessariamente lhe dá um crachá de cantor. Porque o programa é para quem canta, e você não está no nível das pessoas que foram para São Paulo. Que cantam. Talvez essas pessoas jamais cheguem a ter a sua felicidade, a tua simplicidade e até o seu carisma. Mas elas cantam, e por isso foram pra lá. Eu vou ter dar um não, mas eu quero que você saiba que você tem o meu respeito”.

Apesar do “não” de Marco Camargo, Fafá e Supla deram “sim”, e o candidato seguiu na competição. No final da avaliação de Fafá , ela faz uma pergunta para o candidato, que inspirou o título desse post: “Você é um ídolo?”

Pô, o cara cantou bem, arrancou lágrimas de muita gente, tem carisma e ao mesmo tempo é humilde. Por que ele não poderia ser considerado um ídolo, conforme alegou Marco Camargo?

Aí eu parei para pensar nos atuais “ídolos” da música brasileira, para fazer um comparativo e tentar responder essa questão.

Raciocinem comigo:

Luan Santana: Não é um bom cantor
Gustavo Lima: Canta razoavelmente, mas as músicas são, digamos…ruins
Michel Teló: Ele faz música?
Artistas aleatórios (Tchu tcha tcha, Camaro Amarelo e derivados): Alguns dizem que é música, mas…

Ou seja, esse negócio de ser ídolo no Brasil é algo extremamente subjetivo. O que é CANTAR?? Marisa Monte canta. Latino canta. Os dois são ídolos da música. OS DOIS SÃO REALMENTE BONS? Todos sabemos quem deixa a desejar aí.

O rapaz se apresentou com roupas humildes e cantou de forma muito simples. Será que é o vestuário que faz um ídolo? Será que é o fato de gesticular mais, berrar mais ou ter beleza física acentuada que faz com que uma pessoa “cante” mais do que outra?

Enfim, pode ser que isso seja apenas uma estratégia, já que foi divulgado que Everton é um dos 15 finalistas do programa. Mas não deixa de ser curioso com o brasileiro identifica uma pessoa como ídolo da música.

Será a influência da mídia? Será que temos um mal gosto nato? Bom, isso já é assunto para outro post.

Mas, eu que queria saber a opinião dos meus queridos leitores: o que é ser um ídolo da música para vocês?

Raul – O início, o fim e o meio

Hoje eu vou falar um pouco sobre o documentário “Raul – O início, o fim e o meio”. Dirigido por Walter Camargo, o filme foi lançado em março desse ano e conta a história de Raulzito, desde a infância na Bahia até a consagração como um dos maiores nomes do rock brasileiro (considerado por muitos o pai do rock no Brasil).

Para contar a história de Raul foram convidados amigos de infância, colegas de trabalho, grandes parceiros, ex-mulheres, jornalistas e artistas brasileiros que conviveram com o Maluco Beleza, como Caetano Veloso e Tom Zé.

Infância

No início do filme, parentes e amigos de infância mostram como o garoto nascido em Salvador em 1945 veio ao mundo de fato para ser um ídolo do rock. Raul era o membro nº 9 do “Elvis Rock Clube”, primeiro clube de rock do Brasil. Obviamente, sua maior inspiração era o grande Elvis. Inclusive, é mostrado no documentário um aúdio de 1954, em que Raulzito imita o seu grande ídolo.

Mulheres da vida de Raul

Raul teve três esposas e uma amante “oficial”. Pai de três filhas (uma de cada casamento), infelizmente ele não conseguiu conviver com suas meninas como gostaria. As duas primeiras esposas foram morar nos EUA após a separação, levando as crianças. Raulzito faleceu quando sua terceira filha tinha oito anos.
Fica claro que Raul foi um pai muito carinhoso. Suas ex mulheres demonstram saudades e boas lembranças do cantor, menos a primeira esposa. Ela se recusou a gravar um depoimento, limitando-se a mandar uma mensagem por Skype, explicando o motivo da recusa. A filha do casal até aparece rapidamente no documentário, mas dá para perceber que ela está pouco à vontade e não sente nada pelo pai. Ao contrário das duas outras filhas, que se emocionam ao falar sobre Raul. Quem também aparece rapidamente é o seu neto americano, que é simplesmente A CARA dele.

Glória e Raul, sua segunda esposa
Raul e Vivian Seixas, filha do terceiro casamento

Parceria com Paulo Coelho

No início dos anos 70, Raul conhece Paulo Coelho, que até então era jornalista e fazia alguns trabalhos de ator. É unanimidade entre os entrevistados do documentário que Paulo Coelho influenciou profundamente o trabalho e a vida de Raulzito. Porém, nem todos que conviviam com ele o consideram o parceiro mais importante.

Juntos, eles escreveram clássicos como “Al Capone”, “Gita”, “Tente outra vez” e “A maçã”. Uma afirmação no depoimento do escritor me deixou impressionada: ele foi o responsável por apresentar o mundo das drogas para Raul. E Paulo Coelho não se arrepende nem um pouco disso. Para ele, Raul  “tinha 27 anos, já era casado, pai de uma filha, e sabia muito bem o que estava fazendo”.

Além disso, Paulo Coelho apresentou Raul ao mundo do satanismo. Eles criaram a famosa “Sociedade Alternativa”, que tinha como objetivo divulgar a Lei de Thelema, criada por Aleister Crowley. O documentário explica muito bem como funciona essa doutrina e mostra como Raul e Paulo mergulharam nessa ideia. Depois de uma experiência de quase morte, Paulo Coelho abandona o satanismo (no livro “As Valkírias”, ele narra como foi essa experiência).

Raul Seixas e Paulo Coelho

Conhecia bem superficialmente a vida e obra de Raul, e o documentário me mostrou o motivo dele ser tão amado e idolatrado por seus fãs.
Ele foi um visionário, saiu da Bahia para apresentar o rock’n’roll ao Brasil. Apesar da influência americana, sua música foi a mais brasileira possível, tanto no ritmo (misturado com o baião de Luiz Gonzaga), quanto nas letras, que retrataram o povo brasileiro em plena ditadura militar.

Independente do ritmo musical que você curte, vale muito a pena conhecer a história desse Maluco Beleza.

Segue abaixo o trailer do documentário:

OBS: Toca Rauuuuuuulllll!