Elena – Um drama familiar cercado pela arte

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“Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade dos anos de ditadura militar e deixa Petra, a irmã de 7 anos. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: filmes caseiros, recortes de jornal, diários e cartas. A todo momento Petra espera encontrar Elena caminhando pelas ruas com uma blusa de seda. Pega o trem que Elena pegou, bate na porta de seus amigos, percorre seus caminhos e acaba descobrindo Elena em um lugar inesperado. Aos poucos, os traços das duas irmãs se confundem, já não se sabe quem é uma, quem é a outra. A mãe pressente. Petra decifra. Agora que finalmente encontrou Elena, Petra precisa deixá-la partir.” (Fonte: http://www.elenafilme.com)

Antes de qualquer coisa, preciso registrar que esse texto não é uma crítica ao filme “Elena”. Já li tantas críticas fantásticas, de pessoas que realmente entendem de cinema, que não vou me arriscar a analisar o filme. Para quiser ler uma crítica de verdade, indico esse texto da super jornalista e escritora Eliane Brum, publicado no site da revista Época (clique aqui).

Quem acompanha notícias sobre cinema já deve ter percebido que “Elena” é um sucesso, quase uma unanimidade entre aqueles que já tiveram a oportunidade de ver o filme. E eu também faço parte desse coro.

O documentário realmente é fantástico, e duas coisas me chamaram a atenção: a edição (mesclando vídeos de diversos períodos da vida de Elena, Petra e da mãe delas), e a sensibilidade com que Petra conta essa história, um verdadeiro drama de sua vida.

Nas redes sociais, com o intuito de divulgar o filme, foi criada uma espécie de campanha intitulada “Quem é Elena?”. Inclusive, foi lançado um vídeo com alguns atores da Globo contando alguns episódios da vida dela e questionando quem foi essa mulher.

E é aí que começa a minha parte polêmica desse texto.

Bom, essa pergunta “Quem é fulano” é difícil de ser respondida, porque ninguém sabe quem é ninguém de verdade. Mas a impressão que eu tenho é que “Endeusaram” Elena. Não vou contar o que acontece com ela para não soltar um belo spoiler, mas, na minha opinião, as grandes estrelas dessa história são Petra e sua mãe.

Repito, o documentário é fantástico, mas a história de Elena não é muito diferente da história de milhares de mulheres e homens do mundo todo, atormentados pela depressão. Mas o que dá toda a diferença, beleza, sensibilidade e, para alguns, a justificativa para a atitude de Elena é a arte.

“Tudo em nome da arte”. Será?

E já que existe uma pergunta, deixo a minha resposta: Elena foi uma mulher intensa, mas que não teve a força da sua mãe, irmã e de todas as pessoas que sofrem na vida, mas que lutam todos os dias para seguir em frente.

Antes de encerrar, não posso deixar de comentar uma das grandes surpresas do filme para mim. Faz parte da trilha sonora do documentário a música “Dedicated To The One I Love”, do quarteto americano “The Mamas e the Papas”, que eu simplesmente adoro desde criança, e que pouca gente conhece.

Então, deixo com vocês essa bela canção.

Os Gadús

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“Os Gadús” no programa Todo Seu, na Gazeta

Assisto com frequência o programa “Todo Seu” (Gazeta), apresentado com muito charme e elegância pelo Ronnie Von. O que eu mais gosto são as atrações musicais, que, assim como o tio Ronnie, são sempre muito agradáveis.

Esses dias, tive uma grata surpresa ao conhecer o trio “Os Gadús”. Formado por Marc Gadú, Patrick Gadú e Lucas Ricco, trata-se da continuação do grupo musical “Família Gadú”. E fazendo esse post, descobri que Marc e Patrick são respectivamente pai e irmão da cantora Maria Gadú (eita família musical!).

Utilizando apenas voz e violão, o grupo demonstrou muita sensibilidade. Nos dias de hoje, com tantos artifícios utilizados pelos cantores para produzir suas músicas e “maquiar” suas vozes, é preciso valorizar quem se garante apenas pelo gogó.

Quem quiser conhecer um pouco mais Os Gadús, vai encontrar mais informações clicando aqui.

O trio esteve no programa lançando o CD “SEMaquiagem”. Assim que o programa acabou, fui correndo para o Youtube procurar um vídeo da música “Amor Temporal”, que eu me apaixonei logo de cara. Infelizmente, não achei nenhum.

Aproveitando a minha ociosidade, resolvi eu mesma fazer um vídeo para a música :). Espero que gostem!

Somos tão jovens

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Thiago Mendonça interpreta Renato Russo em “Somos tão jovens”

“Você conhece o mito, agora conheça a história”

A frase utilizada para a divulgação de “Somos tão jovens” resume exatamente o objetivo do filme, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura.

É difícil conhecer alguém que nunca tenha ouvido uma música do Legião Urbana. Canções como “Pais e Filhos”, “Será” e “Geração Coca Cola” estão praticamente no subconsciente das pessoas. Mas, quem foi Renato Russo? De onde surgiu essa figura tão idolatrada na música brasileira?

O filme mostra a juventude do cantor em Brasília, seu trabalho como professor de inglês, suas primeiras composições, a criação da primeira banda (aborto elétrico), as dúvidas existenciais (“e eu gosto de meninos e meninas”), até o primeiro show do Legião Urbana.

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Primeira formação da banda punk “Aborto Elétrico”

O surgimento do movimento punk em Brasília também recebe destaque no filme, com referências ao início das bandas Plebe Rude e Capital Inicial.

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Aborto Elétrico e Plebe Rude – Surgimento do movimento punk no Brasil

Pontos positivos

– A abertura do filme já emociona, com a exibição de várias fotos de infância e adolescência de Renato Russo ao som de “Tempo Perdido”.

– Thiago Mendonça me surpreendeu muito. A entonação da voz, os trejeitos…tudo lembra o cantor.

– O ator que interpreta o Dinho (Ibsen Perucci) deixou um pouco a desejar na atuação, mas na aparência chegou a assustar de TÃO PARECIDO com o vocalista do Capital Inicial.

– A trilha sonora, representando cada momento da vida de Renato, dá um brilho especial ao filme.

– Descobri a origem de uma das minhas músicas favoritas (Ainda é cedo).

Pontos negativos

– O filme dá aquela sensação de que faltou alguma coisa. Renato Russo foi um personagem riquíssimo de talento, ideias, opiniões, e com certeza será lembrado por muitas e muitas gerações. A duração do filme (1h 44min) é curta para mostrar a profundidade da sua história.

Eu espero e torço para que esse filme não seja sua única biografia cinematográfica.

Para quem ainda não viu, segue o trailer para entrar no clima. Vale a pena ir no cinema esse fim de semana e conferir na telona!

Monólogo “E foram (quase) felizes para sempre”

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Heloisa Périssé recebe os cumprimentos de Daniel Boaventura no final da leitura do monólogo “E foram (quase) felizes para sempre” (foto: Jeovanna Costa)

Na última segunda feira (29), estive no MASP (Museu de Arte de São Paulo) para prestigiar a leitura do primeiro monólogo da atriz Heloisa Périssé, “E foram (quase) felizes para sempre”.

Eu nunca havia acompanhando a leitura de uma peça, mas imaginava que tratava-se de uma apresentação um pouco mais séria, digamos até engessada (já que os atores nesse momento ainda estão conhecendo o personagem). Me enganei.

Apenas com uma cadeira, uma pilha de textos e um microfone, Heloisa Périssé deu um show. Me senti como se estivesse assistindo um espetáculo já pronto.

Heloisa dá vida à escritora Lele Santana, que depois de um ano viajando pelo mundo e escrevendo o livro de roteiros turísticos românticos “Cantinho para dois”, vê seu casamento acabar. Abandonada pelo marido, Lele narra com muito bom humor como era o casamento com Paulo Vítor, as tentativas de reconciliação, as brigas, suas conversas com a terapeuta, e todas as características que envolvem a maioria dos relacionamentos.

Paixão pela escrita

No final da leitura, aconteceu um bate papo com a atriz e os diretores Suzana Garcia e Mauro Frias. Questionada sobre quando havia começado a escrever (já que a própria escreveu o monólogo), Heloisa afirmou que a escrita é a sua grande paixão. Ela chegou a dizer que pretende, um dia, abandonar a atuação e se dedicar apenas a escrever. Claro que a galera protestou, e seria uma pena perder um grande atriz como Heloisa.

Espectadores ilustres

A plateia contou com algumas participações ilustres, como a atriz e apresentadora Mônica Marteli e o ator e cantor Daniel Boaventura (foto).

Informaram que o monólogo só estreia no ano que vem, mas fazendo uma pesquisa básica no Google encontrei a informação de que haverá uma apresentação no dia 31 de maio, em Salvador.

Baianos, aproveitem!

Letras em Cena

Vale muito a pena ressaltar que o evento foi GRATUITO, e que faz parte do projeto “Letras em Cena”. Outras leituras estão programadas, é só entrar no site e marcar na agenda: http://masp.art.br/masp2010/espetaculos_integra.php?id=521&espetaculos_menu=teatro_e_danca