Minha mãe é uma peça – O Filme

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Paulo Gustavo dá show de interpretação na pele de Dona Hermínia em “Minha mãe é uma peça – O Filme”

Não sou especialista em interpretação, mas acredito que fazer comédia é um grande desafio para um ator/atriz. E quando um ator faz o público rir, se emocionar, refletir sobre a própria vida, tudo isso interpretando um personagem de outro sexo? É um baita desafio, superado com sucesso pelo ator Paulo Gustavo.

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Paulo Gustavo

“Minha mãe é uma peça”, inspirado na peça de mesmo nome, conta a história de Dona Hermínia. Divorciada, mãe de 3 filhos (2 adolescentes), Dona Hermínia representa um pouco de todas as mães. Brava, carinhosa, batalhadora, surtada, está sempre preocupada com o bem estar de suas “crianças”. Puxa a orelha da filha Marcelina (Mariana Xavier) que está gorda e não para de comer, se esforça para lidar da melhor forma com o filho gay Juliano (Rodrigo Pandolfo), e acha que a nora não é boa suficiente para seu filho perfeito Garib (Bruno Bebianno). E, é claro, odeia Soraya, a atual mulher do ex marido Carlos Alberto (Interpretados por Ingrid Guimarães e Herson Capri).

Após ouvir por acaso uma critica de seus filhos, Dona Hermínia decide mudar a sua vida (ou pelo menos, tentar). Ao longo do filme, situações hilárias dessa família são narradas por essa mãe maluca.

Eu não me lembro de ter dado tantas risadas em uma sala de cinema. Ri do começo ao fim. Apesar de tratar-se de um homem interpretando um personagem feminino, em nenhum momento Dona Hermínia ficou caricata. Era difícil lembrar que quem dá vida para essa mãe doida é Paulo Gustavo (vale parabenizar também o trabalho de maquiagem e figurino).

Não conhecia o trabalho dele, mas quem acompanha o Multishow já deve ter assistido o programa “220 Volts” e conhecido um pouco do talento do ator.

O cinema nacional passa por um bom momento, e o filme “Minha mãe é uma peça” vem reforçar essa boa safra de produções.

Confiram o trailer e sintam o que vocês vão perder caso não assistam!

Brasil acorda e conquista a primeira batalha – Mas a guerra continua

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Pensamento de Haddad “Porque esse povo resolveu acordar justo no meu mandato? Que zica #chatiado”

Vitória!!

Depois de semanas de manifestações, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da cidade, Fernando Haddad, anunciaram na última quarta feira (19) a redução da passagem de ônibus de R$ 3,20 para R$ 3,00.

Os protestos pela redução da tarifa aconteceram em todo o país, e cerca de 60 cidades também já reduziram o valor da passagem após o apelo da população.

Depois te ter acompanhado de longe o 4º ato (conforme contei no post anterior), participei das duas manifestações seguintes organizadas pelo Passe Livre. Felizmente, o que eu vi foi bem diferente.

O protesto realizado no dia 17/06 na Faria Lima foi sem dúvida um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Homens, mulheres, crianças, idosos….todos gritando e pedido “vem, vem, vem pra rua vem contra o aumento”, entre outras reivindicações.

Andei mais de duas horas até chegarmos a Paulista, mas poderia ter andando muito mais. A energia, o clima de união, o grito entalado na garganta de todos finalmente ecoando nas ruas do país….foi tudo muito lindo e inesquecível.

Após a notícia da redução da tarifa, também fui as ruas. Confesso que foi mais para comemorar a conquista histórica do que para manifestar, mas acredito que cada mobilização da população em busca de um ideal deve ser comemorada com muito alegria.

Agora que o MPL já venceu a primeira batalha contra esse governo vergonhoso, a população está disposta a ir à ruas reivindicar sobre tudo aquilo que precisa mudar no país. Analisando friamente a situação, sim, as coisas ainda estão um pouco confusas.

Apartidários, esquerda, direita, fascistas ou vândalos? Manifestação ou festa? Vai melhorar ou vai piorar? Será que a população vai dormir de novo?

Sinceramente, política não é um dos meus assuntos favoritos. Não que seja um assunto desinteressante, porque não é, mas eu tenho uma visão bem pessimista sobre a política brasileira. São poucos, pouquíssimos os políticos que realmente pensam em algo além de encher seus bolsos com o dinheiro do povo, então pra mim não vale a pena comprar briga discutindo sobre isso (porque falar sobre política é 99% das vezes convencer o outro que a sua opinião é a certa).

Enfim, não vou fazer nenhuma análise profunda sobre os últimos acontecimentos, mas só queria deixar um recado.

APROVEITEM ESSE MOMENTO PARA TIRAR A BUNDA DO SOFÁ E IR PARA AS RUAS LUTAR POR ALGO! PORRA, ESTAMOS VIVENDO UM MOMENTO HISTÓRICO! O POVO ACORDOU E ESTÁ A FIM DE MUDAR AS COISAS! FODA-SE O QUE CADA UM TEM NA CABEÇA QUANDO VAI PARA AS MANIFESTAÇÕES, O IMPORTANTE É QUE AS PESSOAS ESTÃO SE UNINDO E O POVO UNIDO CONSEGUE CONQUISTAR COISAS, COMO CONQUISTAMOS A REDUÇÃO DA TARIFA!!!!!!!!!!

O GIGANTE ACORDOU, E SE AS PESSOAS NÃO FICAREM DE MI-MI-MI QUESTIONANDO COISAS IRRELEVANTES, PODEMOS CONQUISTAR NÃO APENAS UMA BATALHA, MAS TAMBÉM A GUERRA!!! UNIÃO É TUDO O QUE IMPORTA NESSE MOMENTO!

Bom, esse é o meu último post sobre as manifestações aqui no blog. Não vou transformar esse espaço no “Blog do Protesto” rs, até porque ele não foi criado com esse objetivo. Mas com certeza, vou falar muuuito sobre esse assunto, e participar de quantas manifestações eu puder. Ficam os meus perfis na redes sociais para quem quiser conversar e trocar uma ideia sobre tudo o que anda acontecendo nas ruas.

Facebook: http://www.facebook.com/talita.cruz.988

Twitter: @litacruz

Para encerrar, meu último recado:

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Feliciano, sua hora vai chegar!!

Coragem de manifestantes e violência da PM marcam protestos em São Paulo

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Concentração de manifestantes em frente ao Teatro Municipal, no 4º dia de protestos contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo

Hoje não vou falar sobre filmes, músicas e nem livros, mas sobre um assunto que parou a cidade de São Paulo essa semana: As manifestações contra o aumento da passagem de ônibus, que passou de R$ 3,00 para R$ 3,20.

O transporte público paulistano (e de todo Brasil) é péssimo, isso é um fato. Porém, todos os anos somos surpreendidos com o aumento da passagem, sem conseguir enxergar para onde esse dinheiro vai. Ou melhor, enxergamos sim: para o bolso de alguns políticos.

Todo mundo reclama dos aumentos e resmunga nas redes sociais, mas nunca passou disso. Isso, até a última semana.

No dia 06/06, foi realizada a primeira manifestação organizada pelo MPL (Movimento Passe Livre). De acordo com o site oficial do grupo, o Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento social autônomo, apartidário, horizontal e independente, que luta por um transporte público de verdade, gratuito para o conjunto da população e fora da iniciativa privada.

O MPL se organizou com outros grupos favoráveis à causa e conseguiu levar milhares de pessoas às ruas, somando até agora 4 grandes manifestações na cidade.

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Avenida Paulista tomada pelos manifestantes, no 3º ato contra o aumento da passagem

Sou totalmente à favor das manifestações.

Por mais que a passagem não diminua (porque eu acho que não vai diminuir mesmo), não dá mais pra engolir toda a roubalheira dos políticos e ficar por isso mesmo. Vai aumentar? Então São Paulo vai parar.

Claro que a manifestação poderia ser mais organizada, não atrapalhar o trânsito, as ruas com hospitais e etc. Mas esses protestos não são apenas pelo 20 centavos a mais. O povo está na rua pedindo para não ser mais roubado, para ter hospitais com mais qualidade, segurança em seus bairros…enfim, o povo está pedindo respeito da única forma que os governantes conseguem ouvir: causando barulho.

Votar certo não adianta, porque a questão vai muito além de quem e qual partido está no comando. Todos os partidos roubam, a grande maioria dos políticos roubam. E aqueles que não roubam, nunca conseguem apoio sequer para se candidatar (porque será?).

Se voltarmos na história, nenhuma revolução aconteceu sem violência. Claro que o vandalismo poderia ser evitado, mas uma coisa as pessoas precisam entender: O MPL e grupos ligados não estão cometendo vandalismo. Os responsáveis são pequenos grupos que aproveitam a aglomeração para “causar” (assim como acontece em todo o tipo de aglomeração).

O que eu vi da manifestação

Estive presente nos arredores da Paulista durante a 4ª manifestação, que aconteceu na última quinta feira (15). Trabalho na Av. Angélica, que é bem próxima da Paulista, e resolvi ficar por lá para acompanhar a movimentação e sentir um pouco o clima do protesto.

A primeira coisa que percebi foi a presença maciça da PM. Nunca vi tantos policiais juntos, nem em grandes eventos realizados na cidade (como a Virada Cultural, por exemplo). Vi também vários cinegrafistas e fotógrafos, todos esperando os manifestantes chegarem à Paulista. Algumas pessoas também estavam esperando para se unir ao grupo.

Uma das entradas da estação Paulista foi fechada pelos polícias, fiquei próxima da outra entrada, que até então ainda estava aberta.

Tropa de Choque

Quando a Tropa de Choque chegou na Consolação, parecia cena de filme. Desceram todos do “Caveirão” gritando palavras de guerra, estavam prontos para derrubar tudo e todos que tivessem uma atitude considerada fora do esperado. Um rapaz perto de mim começou a gritar frases do tipo “R$ 3,20 é roubo” e “Viva a Democracia”. De repente, vi que foi jogado do nosso lado um pequeno frasco. Era uma bomba de gás, que logo começou a soltar uma fumaça branca e fedida. Tive que correr, assim como todos que estavam perto de mim (devia ter 5 ou 6 pessoas). Atacados por uma bomba sem motivo nenhum.

Continuei perto da entrada do metrô com algumas pessoas, todos esperando a chegada dos manifestantes à Paulista. Com a proximidade do grupo, a PM anunciou que fecharia a entrada do metrô dentro de 2 minutos. Diante do clima de guerra e das várias bombas que estavam sendo jogadas na região (sem contar a Tropa de Choque ameaçadora), não quis arriscar a minha vida e entrei. As portas foram fechadas.

Manifestação dentro do metrô

Muitas pessoas entraram na estação, mas não foram para suas casas. Um grande grupo ficou acompanhado a movimentação do lado de dentro, esperando os manifestantes que tinham muita dificuldade para chegar. Todas as entradas da Av. Paulista estavam fechadas, e a ansiedade dos “manifestantes do metrô” era grande.

Foi aí que eu presenciei o momento mais tenso.

Começou um grande barulho de bombas e tiros do lado de fora, parecia que os manifestantes finalmente tinham chegado, e a confusão ia começar. Diante disso, muitas pessoas que estavam na rua querendo simplesmente ir para a casa tentaram desesperadamente entrar na estação, e a PM não deixou.

Imaginem, pessoas com medo de levar um tiro implorando para que os policias abrissem a porta, e eles não abriam. Foi nesse momento que nós que estávamos dentro da estação nos revoltamos, e começamos a gritar para que as portas fossem abertas. Uma grande confusão, até que a PM abriu a entrada novamente. Pessoas entraram passando mal.

A partir desse momento, todos começaram a gritar “Sem violência, sem violência”. E qual foi a atitude da PM? Ameaçar todos que estavam gritando. “Quem quiser gritar, vai pra rua”, diziam eles. Traduzindo: “quem quiser gritar, vai pra rua receber tiro de borracha e bomba”.

Alguns minutos depois, fui embora. Os manifestantes não conseguiram chegar até aquele ponto em que eu estava, eles já estavam espalhados pela região.

Foi uma noite muito forte para mim. Já tinha ouvido falar de como a PM agia com violência, mas nunca tinha visto essa repressão tão de perto. Admiro muito a coragem de todos aqueles que foram às ruas, mesmo correndo risco de vida e sendo criticados por uma parcela alienada da população.

Violência contra a imprensa

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E o que dizer dos jornalistas que foram presos e feridos? Triste, lamentável, vergonhoso…que profissão sofrida, meu Deus. Quando não são demitidos em massa de algum veículo de comunicação, são agredidos quando estão fazendo apenas seu trabalho. Quando esses profissionais vão ter segurança (em todos os sentidos)? Oremos.

Bom, essa é a minha visão dos protestos. Felizmente, muita gente está comentando nas redes sociais, dando a sua opinião e pensando sobre o assunto. Estou muito feliz em ver que a população (principalmente os jovens) estão saindo da inércia e lutando pelos nossos direitos.

Faroeste Caboclo

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Fabrício Boliveira é João de Santo Cristo em “Faroeste Caboclo”

“Não tinha medo o tal João de Santo Cristo…”

Opa, esse não é um post sobre a música “Faroeste Caboclo”, e sim sobre o filme homônimo dirigido por René Sampaio.

Quem foi ao cinema esperando ver na telona uma reprodução fiel da música do Legião Urbana, deve ter se decepcionado. O filme conta a história de João (Fabrício Boliveira) que tem um primo Pablo (César Troncoso), que se apaixona por Maria Lúcia (Ísis Valverde) e tem uma treta forte com Jeremias (Felipe Abib). Mas, a forma como essa história é contada é um pouco diferente da versão musical. E por conta disso, o filme é ruim?

Não, o filme é ótimo!!

Eu confesso: de todas as músicas do Legião Urbana, “Faroeste Caboclo” é a que eu menos gosto. Se ouvi essa música cincos vezes na vida (duas na última semana), foi muito. Mas quando vi o trailer pela primeira vez, já sabia que tratava-se de uma ótima produção.

Ísis Valverde está ótima como Maria Lúcia, e quem achava que a atriz não passava de mais um rostinho bonito na TV (tipo eu), já queimou a língua faz tempo. No filme, a jovem é estudante de engenharia, mora com o pai que é um senador (interpretado pelo saudoso Marcos Paulo) e, como diria João de Santo Cristo, “é muito da maconheira”.

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Não me recordo de ter visto um trabalho do Felipe Abib, mas ele também mandou muito bem como o cruel Jeremias, playboy e maior traficante de Brasília.

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Mas quem merece todo o destaque e aplausos é, sem dúvida, Fabrício Boliveira. Comecei a gostar do trabalho dele através da série “Subúrbia” (Globo), e o filme só veio reforçar a minha humilde opinião de que ele é um dos melhores atores do momento. Ele consegue transmitir todo o ódio e sofrimento que João carrega dentro de si desde a infância, e ao mesmo tempo sabe trazer leveza nas cenas de amor com Maria Lúcia (a cena final dos dois é linda).

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Uma curiosidade: Quando subiram os créditos finais, começou a tocar “Faroeste Caboclo”. Ninguém se levantou para ir embora, ficaram lá ouvindo a música inteira (exceto eu e meus amigos, que tínhamos louça para lavar em casa).

Enfim, mesmo diante de tantos comentários negativos que andei lendo por aí, recomendo muito o filme.

Assistam e o trailer e corram para o cinema!