Um pouco de Vinícius de Moraes

grande
Vinícius de Moraes

Nesse fim de semana, a Livraria Cultura realizou em São Paulo o evento “Vira Cultura“, que reuniu no Conjunto Nacional cerca de 140 atrações em 35 horas de atividades, todas com entrada gratuita.

Vou falar rapidamente sobre o evento no final desse post, mas antes gostaria de falar um pouquinho sobre Vinícius de Moraes. Isso porque a única atração que eu consegui acompanhar foi a exibição do filme “Vinícius de Moraes” que conta a história do poeta e compositor através do depoimento de seus amigos e familiares.

Vou ser bem sincera: na minha cabeça, Vinícius de Moraes se resumia ao cara que compôs “Garota de Ipanema” com Tom Jobim. Nunca tive muito interesse em conhecer outros trabalhos dele. Durante o filme, finalmente descobri quem foi esse carioca que levou a música brasileira para o mundo.

E o que mais me surpreendeu nessa história foi o lado poeta dele. Além das poesias que todo mundo conhece, ele escreveu muita coisa boa…principalmente sobre o amor. De acordo com os depoimentos do filme, Vinícius era o tipo de pessoa que precisava estar apaixonado para viver (não é a toa que ele foi casado 9 vezes). E de toda essa necessidade das mulheres e do amor, ele tirava a inspiração para criar verdadeiras obras primas.

Ao longo do filme, a atriz Camila Morgado e o ator Ricardo Blat recitaram algumas obras de Vinícius. Deixo com vocês a linda poesia “Os acrobatas” (entendedores entenderão) e logo abaixo, o documentário completo. Aproveitem!

Os acrobatas

Subamos!
Subamos acima
Subamos além, subamos
Acima do além, subamos!
Com a posse física dos braços
Inelutavelmente galgaremos
O grande mar de estrelas
Através de milênios de luz.

Subamos!
Como dois atletas
O rosto petrificado
No pálido sorriso do esforço
Subamos acima
Com a posse física dos braços
E os músculos desmesurados
Na calma convulsa da ascensão.

Oh, acima
Mais longe que tudo
Além, mais longe que acima do além!
Como dois acrobatas
Subamos, lentíssimos
Lá onde o infinito
De tão infinito
Nem mais nome tem
Subamos!

Tensos
Pela corda luminosa
Que pende invisível
E cujos nós são astros
Queimando nas mãos
Subamos à tona
Do grande mar de estrelas
Onde dorme a noite
Subamos!

Tu e eu, herméticos
As nádegas duras
A carótida nodosa
Na fibra do pescoço
Os pés agudos em ponta.

Como no espasmo.

E quando
Lá, acima
Além, mais longe que acima do além
Adiante do véu de Betelgeuse
Depois do país de Altair
Sobre o cérebro de Deus

Num último impulso
Libertados do espírito
Despojados da carne
Nós nos possuiremos.

E morreremos
Morreremos alto, imensamente
IMENSAMENTE ALTO.

Sobre o “Vira Cultura”

A intenção da Livraria Cultura foi ótima, mas diante de tanta divulgação do evento, a impressão que eu tive é que haviam muito mais pessoas do que o local poderia comportar. Quem desejava garantir o ingresso para conferir alguma atração tinha que chegar no mínimo com duas horas de antecedência. Que nos próximos anos, a questão do espaço seja repensada.

2 comentários sobre “Um pouco de Vinícius de Moraes

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