“Boyhood” mostra a força do tempo através da juventude

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Já imaginou se você pudesse sentar em uma sala de cinema e acompanhar seu crescimento (ou envelhecimento) durante os últimos 12 anos?

Essa foi a experiência única que o elenco de “Booyhood”, do diretor Richard Linklater, viveu ao acompanhar as 2 horas e 40 minutos dessa história tão simples e ao mesmo marcante.

O filme conta a história do garoto Mason (Ellar Coltrane), um menino de 6 anos que mora com a mãe, Olivia (Patricia Arquette) e a irmã Samantha (Lorelei Linklater). Mesmo não morando com o pai, Charlie (Ethan Hawke), a relação das crianças com ele é muito próxima.

Basicamente, não acontece nada demais em “Booyhood”. É só uma família com seus altos e baixos, erros e acertos, brigas, momento tristes, alegres…enfim, não esperem uma grande história. Mas, de forma alguma isso tira o brilho do filme. Aliás, é justamente o fato de ser uma história tão simples que causa a identificação logo de cara.

Apesar de Mason ser o personagem principal, e de acompanharmos de forma mais próxima sua infância e juventude, é muito interessante observar também o “crescimento” dos seus pais. Me peguei muito mais pensando no que se passava na cabeça de Olivia ao ver Mason sair de casa, do que nas descobertas da adolescência do rapaz. Talvez, por já ter passado por essa fase, ela não me instigou tanto como essas emoções que eu ainda desconheço.

Outro ponto de destaque são as mudanças físicas dos atores. E é aí que está o grande barato do filme: Esfregar na nossa cara como o tempo passa…e passa rápido, e a gente não se dá conta. Parece muito óbvio mas, vocês sabem…nós não percebemos isso com frequência. E ver essas pessoas envelhecendo nos faz lembrar que isso está acontecendo com a gente…e agora.

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Três fases de Mason

E, para encerrar, não posso deixar de parabenizar a iniciativa do diretor Richard Linklater. Não deve ter sido nada fácil realizar esse projeto durante todo esse tempo. Que essa ousadia traga muito prêmios e reconhecimento para essa grande obra, que já ficou marcada na história do cinema.

 

 

“Garota Exemplar”, a influência da mídia e a loucura

 

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As aparências enganam.

É essa a primeira frase que vem à minha mente ao começar a falar sobre o filme “Garota Exemplar”, dirigido por David Fincher e baseado no livro homônimo de Gillian Flynn.

Na manhã do seu 5º aniversário de casamento, Nick (Ben Affleck) percebe o desaparecimento da sua mulher, Amy (Rosamund Pike). Preocupado, ele procura a polícia para registrar o fato e logo se inicia uma investigação. Amy é famosa no país, pois sua infância serviu de inspiração para a personagem “Amy Exemplar” (livro escrito pelo seu pai), e logo o caso ganha a atenção da mídia.

O comportamento de Nick começa a ser questionado por todos, já que suas atitudes (sorrindo para fotos e tirando selfies com mulheres bonitas) não eram exatamente de um marido preocupado. Além disso, a investigação começa a apontar um relacionamento estranho entre Nick e Amy, e a imprensa logo aponta o marido como o culpado pelo desaparecimento (e suposto assassinato) da esposa.

A polícia ainda não tem um corpo e nem uma prova definitiva, e Nick jura que não tem nada a ver com o desaparecimento. O telespectador ainda não sabe em que acreditar, até que o filme dá uma reviravolta e todo mundo no cinema fica de boca aberta (e eu paro por aqui para não falar demais).

Sem dúvida, depois de “Her“, esse foi o melhor filme que eu assisti esse ano. O suspense aparece do começo ao fim, e os momentos mais parados são compensados por cenas fortes (e muitas vezes, até assustadoras). Além de destacar como a mídia influencia a opinião das pessoas, o filme faz lembrar como o ser humano pode ser imprevisível, cruel…e sem limites.

Uma surpresa foi a atuação de Rosamund Pike. Não conhecia o trabalho dela, mas essa personagem com certeza vai abrir as portas para muitos trabalhos. Ben Affleck também mandou bem interpretando um tipo ambíguo e (aparentemente) frio.

Talvez, um ponto negativo é a longa duração do filme (2:30). Infelizmente, não li o livro, então imagino que esse foi o tempo necessário para contar a história com todos os seus detalhes.

Deixo com vocês o trailer, não deixem de assistir!

O Espetacular Homem Aranha 2 – A Ameaça de Electro

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Ele voltou!! Estreou no dia 1º de maio a sequência do filme “O Espetacular Homem Aranha”, que traz novamente Andrew Garfield (lindo) no papel de Peter Park, lutando dessa vez contra o vilão Electro (Jamie Foxx).

Peter continua dividindo seu tempo entre combater o crime na cidade e seu relacionamento com Gwen Stacy (Emma Stone). Mas a situação para ele não é fácil, já que sua segunda identidade coloca em risco a segurança de sua amada. Além disso, as dúvidas sobre os motivos que levarem seu pai a abandoná-lo na infância continuam pertubando sua cabeça.

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Peter e Gwen, casal fofo!

Outro personagem importante que conhecemos na história é Harry Osborn (Dane DeHaan), que assume a presidência do grupo Oscorp após a morte de seu pai, Norman Osborn. Harry e Peter se conheceram na infância, quando seus pais foram parceiros em uma (misteriosa) pesquisa.

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Peter e Harry

Assim como no primeiro filme, Peter Park continua um personagem adorável, engraçado e muito romântico. Não conheço muito sobre a história original dos gibis, mas a imagem que fica do “Homem Aranha” dos filmes é que Peter é um jovem como qualquer um, que gosta de ouvir música, falar besteira com os amigos e namorar. Ele é pobre e tem seus conflitos familiares, assim como a maioria dos caras que conhecemos por aí. Isso torna o “Homem Aranha” um super herói “humanizado”, e essa é uma das grandes vantagens da história para mim.

As cenas de ação conseguiram superar o primeiro filme, teve momentos que senti que estava esquecendo de respirar! rs (Isso porque nem vi em 3D). As sequências em que o herói pula de prédio em prédio chegam a causar tontura, tamanha a perfeição das imagens. Um recurso legal que foi muito bem utilizado é o bullet-time (aquele famoso efeito do filme “Matrix”, em que o personagem Neo desvia de um tiro se inclinando para trás).

O filme termina com um gancho super óbvio, então com certeza podemos esperar a 3ª parte! Por enquanto, confiram o trailer e não deixem de assistir!

Mateus Solano encarna (mais um) vilão no filme “Confia em mim”

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Mari (Fernanda Machado) e Caio (Mateus Solano)

Quem nunca confiou em alguém que não merecia nenhuma confiança?

É essa a situação vivida por Mari (Fernando Machado) no filme “Confia em Mim”, dirigido por Michel Tikhomiroff. A jovem é subchefe e tem o sonho de abrir seu próprio restaurante, mas é insegura em relação ao seu talento na culinária. Após uma briga com o patrão, ela decide sair com uma amiga e conhece o misterioso Caio (Mateus Solano).

Depois de alguns encontros, Mari se vê completamente apaixonada por Caio (o homem perfeito que toda mulher sonha), e graças aos incentivos dele decide finalmente investir na abertura do seu restaurante. Tudo perfeito não? Errado! Caio na verdade é um grande golpista de mulheres, e foge com o dinheiro que “espertamente” Mari confiou à ele para o pagamento do negócio.

Decidida a localizar o bandido, Mari se une ao investigador Vicente (Bruno Giordano) e se arrisca para recuperar seu dinheiro e sua dignidade.

Depois do sucesso do personagem Félix na novela “Amor à Vida”, a maior curiosidade em relação ao filme é a participação de Mateus Solano. Não sei se foi pela minha memória recente ou pelo fato de Caio ser também um vilão, mas na primeira metade do filme eu só enxergava Félix na história. Felizmente, em determinado momento Mateus Solano mostrou um outro vilão, completamente diferente do personagem de “Amor á Vida”, e aí sim eu reconheci aquele ator fantástico que me fez vibrar na novela.

Já Fernanda Machado foi muito bem do começo ao fim, em nenhum momento me lembrei da maléfica Leila (também de “Amor à Vida). No geral, a intenção do filme é boa, o suspense realmente acontece, mas existem muitos buracos. Também senti falta de uma boa trilha sonora, que em um filme desse estilo faria muita diferença.

Para quem gosta de assistir algo diferente no cinema nacional, até vale a pena conferir, mas esperem sair em DVD rs.

E minha última dica: Se você, mulher, vai na casa de um cara que só tem mostarda e manteiga na geladeira…cai fora!

Assistam o trailer:

 

“Philomena” emociona e mostra lado obscuro da Igreja Católica

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A cerimônia do Oscar já passou, mas não custa continuar falando um pouco mais sobre os filmes que concorreram esse ano. Entre eles, tivemos “Philomena”, dirigido por Stephen Frears.

A história, baseada em fatos reais, conta a história de Philomena Lee (Judi Dench), uma simpática senhora irlandesa com um passado muito triste. Há 50 anos, ela foi obrigada a entregar seu filho ao convento onde foi mandada pelos pais, após descobrirem que estava grávida. Adotado por um casal de americanos, ela nunca mais teve contato com o menino.

O outro personagem dessa história é o jornalista Martin Sixmith (Steve Coogan), um ex assessor do governo recém demitido e à procura de novos rumos na carreira. Após conhecer a história de Philomena, ele decide voltar ao convento para buscar pistas sobre o paradeiro da criança. O objetivo: Escrever uma grande matéria e voltar ao mercado.

Judi Dench Steve Coogan

O relacionamento entre Philomena e Martin fica cada vez mais próximo durante a investigação, mas engana-se quem pensa que ela enxerga no jornalista o seu filho perdido ou uma espécie de “bom samaritano”. Ela sabe que ele está lá apenas para escrever uma matéria, e é isso que torna essa relação tão transparente e sincera. E Martin, apesar de focado em seu objetivo, se envolve completamente na história. Afinal, quem não se encantaria com uma senhorinha tão fofa?

Judi Dench, apesar de não ter ganhado o Oscar de melhor atriz, emociona muito!!! Segurar as lágrimas é bem difícil em algumas partes do filme.

História real

Philomena: Martin Sixsmith and Philomena Lee in real life and as played by Steve Coogan & Judi Dench
Martin Sixmith e Philomena Lee da vida real

O filme foi inspirado no livro “O Filho Perdido de Philomena Lee”, escrito por Martin Sixsmith. Além da busca pelo menino, o trafico de crianças nos conventos na Irlanda entre os anos 50 e 60 também é retratado no livro, fato que até hoje causa muita polêmica na Igreja Católica.

Atualmente Philomena Lee está à frente do projeto “Philomena Project”, que consiste em ajudar outras mães a encontrarem seus filhos. O grupo também luta para que o governo irlandês promulgue uma lei que permita a consulta aos registros de crianças adotadas (Fonte: G1).

Além de ter me encantando com Philomena, não posso deixar de fazer um comentário: Adoro quando retratam jornalistas fazendo investigações e mudando a vida de pessoas. É ou não a profissão mais legal desse mundo? rs.

Confiram o trailer e não deixem de assistir o filme:

 

Filme “Her” expõe solidão rodeada pela tecnologia

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Theodore (Joaquin Phoenix) e o sistema operacional Samantha (Scarlett Johansson): um casal dos tempos modernos?

O avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para a sociedade, facilitando muito o dia a dia com aparelhos “mágicos” que cabem na palma da mão.

Junto com as redes sociais, esses dispositivos tecnológicos causam em algumas pessoas uma sensação quase que hipnótica, já que interagir com alguém fica muito mais fácil e rápido. E essa “hipnose” é tão profunda em alguns casos, elas se esquecem de que também é possível se relacionar na vida real.

Essa relação entre o homem e a tecnologia é o tema principal do filme “Her”, dirigido por Spike Jonze.

Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que está em processo de divórcio e não consegue assinar os papéis. Ele adquire um novo sistema operacional para seu computador, que entre outras vantagens possui a voz da Scarlett Johansson. O SO (que se auto denomina Samantha), é tão dotado de inteligência e sensibilidade que Theodore se apaixona por ele (ela).

É aí que começa uma linda história de amor, com todas as situações bizarras que se pode imaginar de uma relação entre um homem e um sistema operacional (inclusive com sexo).

Com certeza, “Her” entrou para a minha lista de filmes favoritos. Theodore, apesar da falta de habilidade em lidar com relacionamentos reais, é um personagem adorável (metade homem, metade mulher, como seu colega de trabalho comenta em uma parte do filme).

Samantha, apesar de um sistema operacional, possui mais sentimentos do que muitas pessoas que eu conheço. E foi esse o ponto que me tocou no filme:  Na minha opinião, as pessoas estão cada vez menos “gente”, e cada vez mais “máquinas”. E isso é muito triste. O filme não deixa de ser uma crítica de como deixamos de lado os relacionamentos “humanos”, com seus defeitos e problemas, para nos dedicarmos a relacionamentos virtuais, perfeitos e nem tão exigentes.

Sentar, conversar…simplesmente pergunta para alguém “O que você pensa sobre isso?” são coisas tão simples, mas que parecem cada vez mais raras. Por quê? Como diria a saudosa Cássia Eller, “O mundo está ao contrário e ninguém reparou”.

Mas voltando ao filme, “Her” está concorrendo ao Oscar em 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Design de Produção, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original e Melhor Roteiro Original.

Sem dúvida, eu colocaria aí também a indicação como melhor ator para Joaquin Phoenix. Em grande parte da história, ele contracena “sozinho”, e suas expressões (sempre em close) trazem grande brilho ao filme.

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Para refletir um pouco mais sobre a relação entre o homem e a máquina, recomendo essa reportagem do IG, que convidou o cientista-chefe do laboratório de pesquisas da IBM no Brasil, Fabio Gandour, para analisar o filme:

É melhor que inteligência artificial não seja tão humana, diz cientista da IBM

Confiram o trailer e corram para o cinema!

Documentário “Tem Gringo no Morro” mostra relação entre turismo e Rocinha

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Uma questão que sempre despertou minha curiosidade é o motivo que leva alguns estrangeiros a escolherem as favelas como roteiro turístico no Brasil. Conhecer a cultura brasileira mais de perto e a verdadeira condição de vida dos brasileiros são algumas das razões que, imagino, motivam os turistas a subir o morro. Mas como funcionam essas visitas? Como os moradores enxergam essa “invasão” dos estrangeiros com suas máquinas fotográficas, registrando um cotidiano que, muitas vezes, não tem nada de belo?

É esse o assunto abordado no documentário “Tem Gringo no Morro”, dirigido por Bruno Graziano e Marjorie Niele.

O cenário escolhido é a Rocinha, considerada a maior favela da América Latina e que recebe mais de 3000 turistas estrangeiros todos os meses. Através do depoimento de turistas, guias, moradores e pessoas responsáveis pelo negócio turístico na favela, é possível entender um pouco mais o interesse do gringo pelo morro e a importância dessa presença na comunidade.

Claro que o turismo é um grande negócio para alguns pequenos comerciantes da Rocinha, mas a impressão que eu tive é que o simples fato de ter pessoas dando atenção para a favela, esquecida por grande parte da população, é um dos fatores que fazem os moradores (ou pelo menos, a maioria) aprovar a presença dos estrangeiros.

Talvez a frustração que o turismo na Rocinha traz para alguns vem do sentimento de que, apesar da favela ser um sucesso turístico, ainda é um lugar de pobreza e dificuldade para quem vive lá. Na prática, isso não muda muita coisa para a população.

Destaco a cena em que um morador faz questão de apontar os ratos, baratas, mau cheiro e esgoto presente entre as casas. O que para os estrangeiros é apenas um “choque cultural”, para essas pessoas é a dura realidade.

O documentário é curtinho (27 minutos), mas traz muita informação com uma trilha sonora perfeita e belas imagens do morro.

Não deixem de assistir!