Até breve!!!

obrigada

E é com muita dor no coração que anuncio que esse é o último post do “Avesso e Reverso” :(. Depois de 3 anos e 98 textos, decidi que é a hora de encerrar esse meu pequeno projeto.

Quem me conhece sabe que a maior paixão da minha vida é escrever. Já tive uns 5 blogs, e quando decidi criar o “Avesso e Reverso” meu objetivo era focar os posts em assuntos de arte e cultura. Durante esses três anos, acredito que consegui cumprir esse objetivo. Mas, de uns tempos pra cá, tenho sentido que meus textos estão extremamente acomodados…ou melhor, eu estou acomodada. E, para evoluir, é necessários deixar algumas coisas para trás.

Preciso agradecer a todos que me acompanharam nesse projeto, lendo os textos, comentando, interagindo comigo nas redes sociais…muito obrigada por me fazer acreditar que, pelo menos em alguns momentos, o que eu escrevi por aqui fez alguma diferença pra vocês. Além do prazer de escrever, esse blog me trouxe muita coisa boa, como amigos virtuais, oportunidades profissionais e principalmente a renovação constante da minha vontade de fazer diferente.

Vou criar um novo blog em breve, com novas ideias, novo estilo…e espero poder contar com vocês lá também!

Enquanto isso, visitem meu outro blog -> http://todososverbos.blogspot.com.br/

Muito obrigada!!…e até mais 🙂

Mad Men: Uma viagem aos anos 60

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A publicidade é algo presente na vida de todos nós, muito mais do que imaginamos. Somos influenciados o tempo todo, através desse trabalho quem vem evoluindo ao longo dos anos.

Mas, será que a publicidade sempre foi assim? O que pensavam os publicitários das décadas passadas? Quais eram suas estratégias para alcançar os consumidores? A série Mad Men, grande sucesso da HBO, responde essas e outras perguntas.

A história gira em torno de Don Draper (Jon Hamm), um publicitário charmoso e muito talentoso, diretor de criação da agência Sterling Cooper. Aparentemente, ele possui a vida perfeita, com uma carreira de sucesso e uma família linda. Porém, Don esconde muitos segredos. Ele é aquele tipo de personagem que amamos e odiamos ao mesmo tempo.

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Don Draper * Pausa para o suspiro

Sua esposa, Beth (January Jones), é a dona de casa exemplar, mas no fundo esconde uma certa infelicidade que começa a ser explorada na primeira temporada, revelando-se uma mulher cheia de conflitos.

A série também retrata todo o machismo que existia na década de 60. As mulheres eram criadas apenas para pensar em casamento, era vistas como limitadas e incapazes de competir no mercado de trabalho com os homens. Na Sterling Cooper, não existia espaço nenhum para as mulheres. Isso até a chegada da nova secretária de Don, Peggy Olson (Elisabeth Moss), uma jovem ingênua, mas com planos muito mais ambiciosos do que arrumar um marido.

Peggy Olson (Elisabeth Moss)
Peggy Olson

A caracterização dos personagens é incrível, é como se realmente fizéssemos uma viagem aos anos 60. Mas isso não seria o suficiente para fazer a série um sucesso, se não fosse o roteiro tão bem trabalhado e os conflitos que fogem do óbvio. Lendo algumas reportagens, li uma frase que não me lembro agora de quem é, mas resume bem o que quero dizer: Mad Men é uma série para adultos. E não é por conta das cenas de sexo (que nem são muitas e nem tão explicitas), mas porque trata o telespectador como adulto, com uma história inteligente e coerente. E, se estamos falando de anos 60, é claro que a trilha sonora é sensacional!

Estou acompanhando a 3ª temporada, mas atualmente a série está na 7ª e última temporada, com final previsto para 2015. Estou correndo para assistir todas as temporadas, corram também e não deixem de assistir!

“Boyhood” mostra a força do tempo através da juventude

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Já imaginou se você pudesse sentar em uma sala de cinema e acompanhar seu crescimento (ou envelhecimento) durante os últimos 12 anos?

Essa foi a experiência única que o elenco de “Booyhood”, do diretor Richard Linklater, viveu ao acompanhar as 2 horas e 40 minutos dessa história tão simples e ao mesmo marcante.

O filme conta a história do garoto Mason (Ellar Coltrane), um menino de 6 anos que mora com a mãe, Olivia (Patricia Arquette) e a irmã Samantha (Lorelei Linklater). Mesmo não morando com o pai, Charlie (Ethan Hawke), a relação das crianças com ele é muito próxima.

Basicamente, não acontece nada demais em “Booyhood”. É só uma família com seus altos e baixos, erros e acertos, brigas, momento tristes, alegres…enfim, não esperem uma grande história. Mas, de forma alguma isso tira o brilho do filme. Aliás, é justamente o fato de ser uma história tão simples que causa a identificação logo de cara.

Apesar de Mason ser o personagem principal, e de acompanharmos de forma mais próxima sua infância e juventude, é muito interessante observar também o “crescimento” dos seus pais. Me peguei muito mais pensando no que se passava na cabeça de Olivia ao ver Mason sair de casa, do que nas descobertas da adolescência do rapaz. Talvez, por já ter passado por essa fase, ela não me instigou tanto como essas emoções que eu ainda desconheço.

Outro ponto de destaque são as mudanças físicas dos atores. E é aí que está o grande barato do filme: Esfregar na nossa cara como o tempo passa…e passa rápido, e a gente não se dá conta. Parece muito óbvio mas, vocês sabem…nós não percebemos isso com frequência. E ver essas pessoas envelhecendo nos faz lembrar que isso está acontecendo com a gente…e agora.

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Três fases de Mason

E, para encerrar, não posso deixar de parabenizar a iniciativa do diretor Richard Linklater. Não deve ter sido nada fácil realizar esse projeto durante todo esse tempo. Que essa ousadia traga muito prêmios e reconhecimento para essa grande obra, que já ficou marcada na história do cinema.

 

 

“Garota Exemplar”, a influência da mídia e a loucura

 

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As aparências enganam.

É essa a primeira frase que vem à minha mente ao começar a falar sobre o filme “Garota Exemplar”, dirigido por David Fincher e baseado no livro homônimo de Gillian Flynn.

Na manhã do seu 5º aniversário de casamento, Nick (Ben Affleck) percebe o desaparecimento da sua mulher, Amy (Rosamund Pike). Preocupado, ele procura a polícia para registrar o fato e logo se inicia uma investigação. Amy é famosa no país, pois sua infância serviu de inspiração para a personagem “Amy Exemplar” (livro escrito pelo seu pai), e logo o caso ganha a atenção da mídia.

O comportamento de Nick começa a ser questionado por todos, já que suas atitudes (sorrindo para fotos e tirando selfies com mulheres bonitas) não eram exatamente de um marido preocupado. Além disso, a investigação começa a apontar um relacionamento estranho entre Nick e Amy, e a imprensa logo aponta o marido como o culpado pelo desaparecimento (e suposto assassinato) da esposa.

A polícia ainda não tem um corpo e nem uma prova definitiva, e Nick jura que não tem nada a ver com o desaparecimento. O telespectador ainda não sabe em que acreditar, até que o filme dá uma reviravolta e todo mundo no cinema fica de boca aberta (e eu paro por aqui para não falar demais).

Sem dúvida, depois de “Her“, esse foi o melhor filme que eu assisti esse ano. O suspense aparece do começo ao fim, e os momentos mais parados são compensados por cenas fortes (e muitas vezes, até assustadoras). Além de destacar como a mídia influencia a opinião das pessoas, o filme faz lembrar como o ser humano pode ser imprevisível, cruel…e sem limites.

Uma surpresa foi a atuação de Rosamund Pike. Não conhecia o trabalho dela, mas essa personagem com certeza vai abrir as portas para muitos trabalhos. Ben Affleck também mandou bem interpretando um tipo ambíguo e (aparentemente) frio.

Talvez, um ponto negativo é a longa duração do filme (2:30). Infelizmente, não li o livro, então imagino que esse foi o tempo necessário para contar a história com todos os seus detalhes.

Deixo com vocês o trailer, não deixem de assistir!

Jason Becker e o desafio do gelo

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Jason Becker

Como vocês devem ter acompanhado nas últimas semanas, vários artistas nacionais e internacionais estão participando do Ice Bucket Challenge (ou desafio do gelo), com o objetivo de arrecadar doações para instituições de combate à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Encheu o saco todos esses vídeos? Sim, ainda mais quando percebemos que a intenção de alguns participantes foi muito mais aparecer do que realmente doar e refletir sobre a causa. Mas, essa semana, foi divulgado um vídeo que merece ser comentado: o desafio do gelo do guitarrista Jason Becker.

Ele tem uma história fantástica, que eu vou tentar resumir rapidamente para vocês. Aos 16 anos, Jason já demonstrava um talento diferenciado para a guitarra, chamando a atenção pela técnica e virtuosismo. Aos 18, ao lado do parceiro Marty Friedman, ele montou a banda Cacophony e gravou dois discos (Speed Metal Symphony, em 1987, e Go Off!, em 1988), além de um trabalho solo Perpetual Burn, também em 88. Esses trabalhos colocaram Jason em evidência no mundo do heavy metal e hard rock, tornando o jovem uma grande promessa da música. Aos 20 anos, o guitarrista foi convidado para tocar na banda do ex vocalista do grupo Van Halen, David Lee Roth, e gravou o disco A Little Ain’t Enough (considerado o melhor álbum da carreira solo de David). Tudo caminhava para que ele fosse considerado dentro dos próximos anos um dos melhores guitarristas de todos os tempos, até que o jovem começou a sentir um enfraquecimento na perna esquerda….foi quando a Esclerose Lateral Amiotrófica foi diagnosticada :(.

Os médicos deram 5 anos de vida para Jason após o diagnóstico da ELA, mas há 25 anos o músico convive com a doença. Hoje, aos 45 anos, ele só consegue mover os olhos e alguns músculos da face, porém, seu cérebro continua funcionando perfeitamente. Através de um sistema desenvolvido por seu próprio pai, que dividiu as letras do alfabeto em grupos de quatro em uma tela, Jason direciona seus olhos e consegue formar palavras. E sabem o que é mais sensacional? Através desse sistema e de um outro programa desenvolvido por um amigo, ele consegue compor músicas!

Em 2013, foi lançado o documentário Jason Becker: Not Dead Yet que conta toda a sua história. Se vocês querem entender um pouco mais sobre a ELA e sobre a incrível história de superação desse cara, assistam pelo menos esse trailer. É emocionante (confesso que meus olhos ficaram marejados).

E, por fim, o desafio do gelo mais emocionante para mim. Jason Becker, um exemplo de vida!

Uma visão feminina sobre “RuPaul’s Drag Race”

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Hoje eu vou fugir um pouco dos assuntos que eu costumo escrever aqui no blog, mas é por um motivo especial: Falar sobre o meu atual reality show favorito, “RuPaul’s Drag Race”. O programa é exibido desde 2009 nos Estados Unidos pelo canal Logo TV, mas para nossa sorte foi disponibilizado pelo Netflix \o/

Quem apresenta o reality é a Drag Queen mais famosa dos EUA, RuPaul. Nos anos 90, ela alcançou sucesso mundial com o disco Supermodel of the World, e ganhou o VMA como melhor clipe de dance music (com o hit Supermodel – You Better Work). Ru já cantou com grandes estrelas da música, como Elton John, Martha Wash, Diana Ross e Lady Gaga, além de atuar em vários filmes.

No programa, 14 participantes disputam a coroa de melhor Drag Queen, além de um prêmio em dinheiro e contrato para representar uma grande marca. Ao longo dos episódios, Ru avalia os participantes com a ajuda dos jurados Santino Rice e Michele Visage, além de convidados especiais. Porém, a decisão final é única e exclusivamente da apresentadora, que avalia basicamente quatro critérios básicos nos participantes: Carisma, originalidade, talento e coragem.

O reality já exibiu 6 temporadas, e diante do sucesso a 7ª edição já está confirmada.

Vaidade

Se vocês jogarem no Google, existe muitos textos falando sobre “RuPaul’s Drag Race”. Mas a maioria é escrito por homens gays, que naturalmente exaltam o pioneirismo do programa em mostrar os bastidores do mundo drag ao grande público. Concordo com todos, mas a minha visão sobre o programa não é apenas essa.

Antes de começar a assistir o reality, pra mim uma drag era um homem vestido de mulher que dublava músicas, e só. Mas depois de acompanhar as 5 primeiras temporadas, minha opinião (felizmente) mudou: Esses homens são verdadeiros artistas, que exaltam o poder e a beleza das mulheres. Quando comecei a ver aqueles caras fazendo maquiagens maravilhosas, roupas lindas e se preocupando em estar sempre belas e elegantes, eu comecei a me perguntar: Por que eu, que sou mulher, não faço nem metade disso? Foi um tapa na minha cara. Nunca fui do tipo vaidosa, mas assistir RuPaul’s Drag Race de certa forma mexeu com a minha vaidade.

Outra coisa que me surpreendeu foi a auto estima e confiança dos participantes. Quantas vezes, nós, mulheres, nos sentimos feias por causa de um defeitinho aqui e acolá? Acreditem, essas drags NUNCA, eu disse NUNCA se sentem feias. Elas se acham lindas e pronto, a opinião de ninguém abala essa convicção. Por isso, posso afirmar com toda certeza: As mulheres têm muito o que aprender com as drags.

Participantes favoritas

A cada semana, RuPaul propõe um desafio para as participantes, que vai desde criar roupas até atuar, cantar, dançar, produzir e diversas outras atividades (não é nem um pouco fácil chegar até a final). Durante as provas, podemos conhecer um pouco mais sobre a vida desses rapazes, sobre a superação de cada um, as tristezas, alegrias e bastidores do mundo drag. E como bom reality, sempre rolam intrigas, barracos, confusões e gritaria.

Claro que eu tenho minhas participantes favoritas, essas são algumas delas:

Raja (3º temporada)

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 Nina Flowers (1ª temporada)

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 Sharon Needles (4ª temporada)

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Pandora Box (2ª temporada)

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Yara Sofia (3ª temporada)

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Chad Michales (4ª temporada)

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O programa está fazendo tanto sucesso no Brasil que algumas drags estão vindo fazer shows aqui esse ano. Em maio, contamos com a presença da Jujube em São Paulo, e, em setembro, Iara Sofia e Shangela também vão se apresentar aqui em Sampa.

Outro destaque do programa são os bordões da Ru. Para encerrar, vou usar a mensagem que ela deixa no final de todos os episódios…é para refletir:

“If you cant love yourself, how the hell you gonna love somebody else?”

(Se você não pode amar a si mesmo, como você vai amar outra pessoa?)